Survival Job: tabu?

Esse post não é exatamente sobre Edmonton em si, mas sobre algo inevitável na vida de 99% dos imigrantes. O tal do survival job, ou o famoso “subemprego” (nome tosco da porra, como se algum emprego fosse menos emprego que o outro. Enfim).

transitionVamos por partes. O termo survival job significa um emprego que você faz quando te faltam alternativas na sua carreira e você precisa pagar as contas. Quem nunca? Aqui no Canadá e em muitos outros países isso é super comum. No Brasil, a gente fica com impressão de que trabalhar em loja, café, restaurante, bar, casa noturna ou qualquer coisa assim é emprego de gente sem qualificação, sem experiência ou sem ensino superior completo (aff, a arrogância brasileira…). Aí você chega aqui e vê todo o tipo de perfil possível trabalhando nesses mesmos lugares. Estudantes universitários, pessoas mais velhas que estão afastadas da carreira profissional, jovens que precisam de um segundo emprego pra fechar as contas no fim do mês, estrangeiros recém-chegados…

E percebe que isso não é o fim do mundo, muito pelo contrário: te dá chances de ganhar uma experiência que você dificilmente ganharia de outro modo!

Se você, amigo leitor, vier pro Canadá já achando que vai retomar a vida que levava no Brasil (só mudando o cenário), abaixe a bola. Você não é especial, o Canadá recebe milhares de imigrantes todos os anos e tá todo mundo buscando seu lugar ao sol. Por isso, pode ser difícil achar o tipo de emprego que você tanto deseja nos primeiros meses de vida por aqui. Em vez de se desesperar, que tal procurar emprego em restaurante, café ou loja?

Eu hoje enxergo uma tonelada de vantagens nessa estratégia. Primeiro, que você vai aprimorar seu inglês. Não venha achando que você é fluente e que não precisa melhorar. A menos que você tenha sido alfabetizado em inglês, você ainda vai escorregar muito no idioma, e ser forçado a só falar e ouvir inglês por algumas horas quase todos os dias é uma benção. Vai por mim: só ir no mercado fazer compras ou assistir televisão não é suficiente pra trabalhar a fluência.

Segundo, que você vai ganhar experiência canadense. E sem mimimi de achar que é uma experiência que não vale de nada pelo fato de você ter dez anos em empregos e cargos ultra importantes no Brasil. Fio, tu deu reboot na vida quando abriu mão do seu cotidiano brasileiro pra se aventurar no Canadá. Tem que começar de baixo, e entrar em qualquer empresa canadense já te dá pontos no currículo. Nem que seja como lavador de pratos. Além do mais, se você souber pensar fora da caixa, vai começar a ver um monte de skills que você estará desenvolvendo: falar com o público, arranjar soluções para melhorar o serviço ao cliente, resolver problemas com rapidez, trabalhar sob pressão, organização e gerenciamento de estoque, por exemplo.

Terceiro, você faz contatos – e amigos. Como eu disse, você vai trabalhar com todo tipo de perfil, vai conhecer um monte de gente diferente e, se for esperto, vai utilizar isso a seu favor. Em ambientes mais informais que escritórios, é mais fácil fazer amizades no trabalho. Sim, vai ter gente mais nova que você, gente mais velha, gente que não tem nada a ver com sua antiga profissão… mas e daí? Cultivar amizades num lugar onde você não conhece ninguém é algo primordial. Se não ajudar na carreira, ao menos te ajuda a se divertir nas horas vagas (e acreditem, isso faz uma puta diferença).

E por fim, meus amigos, tu faz dinheiro. Claro que os salários não são astronômicos, mas aqui você ganha por hora, o que significa que a cada hora extra que você fizer, mais dinheiro entra na sua conta. Alberta tem um dos salários mínimos mais altos do Canadá ($11.20/hora), e raramente os empregos vão oferecer só o mínimo. Isso significa que você pode conseguir tranquilamente fazer quase $2 mil por mês trabalhando full time em alguma lanchonete. Além do mais, as empresas costumam ter ótimas políticas de incentivos, com benefícios interessantes e planos de carreira (com promoções e aumento de salário). E vamos combinar: melhor servir café e pagar as contas do que ficar chorando amargurado pela falta de emprego dentro de casa, não é?

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