O sonho (possível) do “emprego na minha área”

Senta que lá vem história! Cheguei no Canadá em abril/2015. Formada em Jornalismo, com certificado em Marketing Empresarial, alguns anos de experiência na bagagem e um visto de trabalho em mãos (Open Work Visa). Procurei emprego na minha área logo que cheguei, cheguei a fazer algumas entrevistas, mas não deu em nada.

Como o dinheiro só saía da conta, o aluguel tinha que ser pago, e o college do meu marido também, só restou mesmo ir atrás de qualquer coisa que me oferecesse um salário decente no fim do mês. E foi aí que eu fui parar no Starbucks.

Não me leve a mal. Adorei a experiência. Falei neste post aqui sobre as vantagens de ter um emprego desse tipo. Conheci um monte de gente, fiz amigos, melhorei meu inglês em 100%, ganhei customer service skills e traquejo para lidar com os canadenses. Perdi a vergonha de falar com o público e de quebra ainda aprendi a fazer todos aqueles drinques elaborados do Starbucks (e ainda ganhei café de graça todo esse tempo!).

Virei instrutora certificada (Certified Barista Trainer) em menos de um ano. Sou uma das melhores baristas da loja e estava na fila para ser promovida para supervisora.

Ou seja, a vida até que estava indo muito bem. Mas batia a saudade de trabalhar com Comunicação. De trabalhar em escritório, de ter um horário fixo, de folgar nos fins de semana e feriados (né?). E confesso, por um breve período, cheguei a desistir de arrumar emprego na minha área. Sei lá, achei que não tinha jeito, que ia demorar, que talvez fosse melhor esperar o sonhado PR (visto de residência permanente). Não sou canadense, inglês não é minha primeira língua, nunca trabalhei com Comunicação no Canadá. Sinceramente, achava que não teria chances.

Mas no final das contas, eu sou brasileira e não desisto nunca. E lá ia eu mandar meus currículos. De cada dez currículos que eu mandava, dez não me retornavam. Minto: alguns retornavam pra dizer que eu nem sequer seria chamada para a entrevista. Sim, queridos leitores, não foi fácil.

Até que em uma bela tarde de primavera, DUAS empresas me ligam para marcar entrevista. Fiz as duas em um único dia. E ambas me ligam de novo, para uma segunda etapa. E lá vou eu. E as empresas me ligam de novo, agora cada uma com uma oferta de trabalho.

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Eu depois de receber duas ofertas de emprego

Sim, recebi duas ofertas de trabalho simultâneas para trabalhar com Marketing. Uma cobrindo a oferta da outra. Mesmo eu sem PR (meu visto de trabalho vence ano que vem). Mesmo com esse meu sotaque. Mesmo sem portfólio em inglês. Aliás, mesmo sem portfólio algum, já que a anta aqui nunca se preocupou em montar um com as dezenas de trabalhos que eu fiz na vida (admito a burrice).

Aceitei a que achei mais conveniente e recusei a outra. Começarei no novo emprego no fim de junho (exatamente um ano depois de ter começado a trabalhar no Starbucks). Sinceramente, estou nas nuvens!

Como isso aconteceu? Não sei explicar. Não existe fórmula mágica ou caminho certo pra seguir. Ao mesmo tempo, não existe mistério. O que existe é persistência. É só isso que você precisa ter. E coragem. E fé em você mesmo.

O que dá certo é insistir. É rever seu currículo mil vezes e ver como pode reescrevê-lo (Tio Google tá aí pra isso). É ser confiante durante a entrevista. Ser sincero com seu futuro empregador (uma das vagas oferecidas exigia qualificações que eu falei que não tinha, mas devo ter sido tão confiante que ainda assim quiseram me contratar). Não ter vergonha de admitir que trabalha em um subemprego por falta de opção (e ver o lado positivo da coisa).

E principalmente: ter paciência. Não desistir (que nem eu) porque não achou emprego na vaga nos primeiros dois meses. Não desanimar porque não estão respondendo seus emails. A-cre-di-tar.

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